Esta semana sugiro um livro que prima pela originalidade e que explora os recônditos da memória:
O Vendedor de Passados
José Eduardo Agualusa
(Publicações Dom Quixote)

Félix Ventura, um angolano albino, dedica-se a uma estranha profissão: vende gloriosos passados a indivíduos em ascenção. De um momento para o outro, a árvore genealógica dos seus clientes é enriquecida e, com isso, o seu prestígio aumentado. É na voz de um, no mínimo, improvável narrador que vamos conhecer alguns dos indivíduos que procuram Féliz Ventura. E vamos ser levados a questionar-nos... Até que ponto as nossas memórias são reais? E o que valem elas realmente? O que estaríamos dispostos a fazer para mudar de passado? E para nos vingarmos?
Este livro promete surpresa e suspense até às últimas páginas e é, sem dúvida, uma extraordinário obra do autor angolano.
"Eram empresários, ministros, fazendeiros, camanguistas, generais, gente, enfim, com o futuro assegurado. Falta a essas pessoas um bom passado, ancestrais ilustres, pergaminhos. Resumindo: um nome que ressoe a nobreza e a cultura. Ele vende-lhes um passado novo em folha. Traça-lhes a árvore genealógica. Dá-lhes as fotografias dos avôs e bisavôs, cavalheiros de fina estampa, senhoras do tempo antigo. Os empresários, os ministros gostariam de ter como tias aquelas senhoras (...) velhas donas de panos, legítimas bessanganas-, gostariam de ter um avô com o porte ilustre de um Machado de Assis, de um Cruz e Sousa, de um Alexandre Dumas, e ele vende-lhes esse sonho singelo."